O IMPACTO DA DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR NA QUALIDADE DE VIDA

Felipe Fabrício Farias da Silva, Isabelly Ribeiro Araújo, Lívia Maria Sales Pinto Fiamengui, Érika Matias Pinto Dinelly

Resumo


A Disfunção Temporomandibular (DTM) abrange inúmeros sinais e sintomas clínicos musculares e articulares que estão ligados, direta ou indiretamente, ao sistema estomatognático, tendo a sua causa e origem como multifatorial. Muitas DTMs crônicas possuem a dor como principal sintoma. O controle da dor orofacial se torna instrumento essencial na qualidade de vida (QV) dos pacientes. O presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto da DTM na QV das funcionárias, acadêmicas e pacientes do Centro Universitário Católica de Quixadá (Unicatólica). Para avaliar e diagnosticar o grau de DTM das participantes foi aplicado o Índice de Helkimo a 50 pacientes do gênero feminino, com idade entre 18 a 60 anos. Os graus de DTMs que poderiam ser identificados eram: sem disfunção, disfunção suave, disfunção moderada e disfunção severa. As participantes da pesquisa foram divididas em dois grupos. No grupo I se encontraram as pessoas que foram diagnosticadas em não portadores de DTM, já as participantes do grupo II foram diagnosticadas com algum grau de DTM. Também foi aplicada a Versão Brasileira do questionário de Qualidade de Vida SF-36 para avaliar a QV dos dois grupos. O SF-36 avalia 8 domínios: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, saúde mental, aspectos emocionais, aspectos sociais e vitalidade. Para realizar as análises dos resultados foram realizadas estatísticas descritivas e de Mann-Whitney. O grupo II mostra valores mais baixos, sugerindo pior QV, com diferença estatisticamente significante nas oito categorias avaliadas (α = 5%). Com base nos resultados obtidos, percebe-se que a DTM interfere diretamente na QV dos pacientes, dificultando o manejo e o controle da doença. Questionários validados, como o SF-36, podem ser utilizados, melhorando prognóstico e plano de tratamento. Nestes casos, a utilização de tratamento multidisciplinar e com enfoque biopsicossocial é de extrema importância.


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