FRATURAS DE ÓRBITA E SUAS ALTERAÇÕES FUNCIONAIS – REVISÃO DE LITERATURA

Vanessa Anastácio Pimentel, Bárbara Nogueira Justa, Huly Santiago de Menezes, Ernest C. Pounchain

Resumo


Traumas faciais são o aglomerado de mudanças funcionais e anatômicas, podendo ser locais, gerais ou combinadas, oriundo de agressões, quedas e queimaduras. Várias lesões em estruturas adjacentes podem ser causadas por fraturas que envolvem o terço médio do esqueleto facial. O nível da força, região anatômica afetada, diferencia a complexidade das lesões. A localização anatômica da cavidade orbitária no terço fixo da face está significativamente exposta as fraturas e traumatismos. É composta pelos ossos: lacrimal, esfenóide, etmóide, maxila, frontal, palatino e zigomático e possui uma forma piramidal. Um apropriado plano de tratamento é realizado com o uso fundamental de meios de diagnóstico por imagem deixando assim o exame clínico completo. Ainda que o exame clínico seja primordial para análise das fraturas faciais, os exames radiográficos e principalmente os tomográficos são primordiais para a obtenção de um diagnóstico satisfatório. O diagnóstico das fraturas nos pacientes recém-traumatizados é mais enigmático devido os hematomas, impedimento para abertura bucal, hemorragias, deformidades estéticas e lesões associadas como craniofacial e outros segmentos corporais, sobretudo as implicações médico-legais que aguçam a atenção do médico para uma observação clínica e diagnóstico cuidadosos.  Assim, é imprescindível a obtenção de exames de imagem para facilitar o diagnóstico e organização do tratamento. O exame radiográfico convencional deve ser feito no mínimo em dois ângulos diferentes para a confirmação das fraturas, já que esse exame possui limitação da bidimensionalidade. A tomografia computadorizada disponibiliza ao profissional a possibilidade de analisar precisamente as fraturas de face, sendo ela a melhor escolha para a realização do exame do paciente com trauma maxilofacial. As principais sequelas são cegueira, diplopia ou enoftalmia. Nenhum estudo emprega uma nomenclatura bem definida para as fraturas de orbitas, todas são de natureza retrospectiva O tratamento das fraturas de assoalho da órbita ainda continua com uma controvérsia e não existe um consenso para indicações e técnicas cirúrgicas. Algumas indicações aceitas são devido à reparação imediata, dependendo do tecido mole aprisionado ou enoftalmia inicial no hipoglobo. A intervenção precoce também é recomendada em crianças com o músculo ocular aprisionado.

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